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17/09/2021
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O JEITO NENECA DE SER
 
      Tenho recebido muitas mensagens desde que comecei a escrever esta coluna.
      
      A todas leio e respondo. Em geral aprendo com elas.
      
      Nenhuma, porém, causou-me tanto impacto como a de Da. Neneca.
      
       Fiz dela assunto de discussão com os meus pares, Geriatras e Gerontólogos, divulgando-a, também, dentre alguns dos meus clientes.
 
      Melhor que isso, procurei conhecer melhor a sua autora. Temos tido, nestes últimos dois meses, uma profícua interação. Cedeu-me, generosamente, farto material em que se misturam fatos, fotos e depoimentos que documentam a sua trajetória.
      
      Quando lhe comuniquei da minha intenção em torná-la tema deste texto, pediu-me tempo para refletir, consultar parente e amigos e, por fim, dar a sua autorização para que eu pudesse fazer bom uso do que aprendera consigo.
      
      Espero, portanto, ser fiel aos meus propósitos.
      
      Começo respondendo à pergunta fundamental: no que a Da. Neneca é excepcional?
      
      Objetivamente, em nada. E foi exatamente isso que me fascinou.
      
      Na sua primeira mensagem, descreveu a sua constante busca, nestes 75 anos bem vividos, dos caminhos que poderiam levá-la aos seus objetivos em cada um dos muitos papéis que desempenhou. Nem sempre acertou, segundo a sua própria avaliação, mas em todas as experiências aprendeu algo que lhe valeu para a próxima tentativa. Vivenciou-as com a certeza de que, independente da idade, sempre haveria uma nova oportunidade para aplicar o que aprendera. Para sintetizar, baseou-se em Pessoa ao afirmar que "tudo valeu a pena porque a alma nunca foi pequena".
      
       Quero me aproveitar desta maravilhosa coletânea de situações de cotidiano, de quem percorreu os mesmos caminhos pelos quais todos e qualquer um podem transitar, para demonstrar que o tão desejado envelhecimento saudável não deveria ser considerado uma exceção, mas sim a regra.
      
      Embora encontrar pessoas como a Da. Neneca seja incomum, não deve ser considerado excepcional. Por mais que seja raro, conhecer alguém que em meio à sua oitava década de vida afirma "ser velha, mas não estar velha", atesta-se que o potencial intrínseco de ser feliz permanece viável em todos nós, nas diversas fases da vida.
      
      Infelizmente, porém, quando o assunto é envelhecimento, geralmente nos reportamos aos extremos: ou atentamos para todas as mazelas que erroneamente são atribuídas ao passar do tempo ou nos admiramos com as performances estereotipadas de idosos que tentam perpetuar a sua juventude.
      
      Não me entendam como opositor aos esportes radicais e/ou os constantes artifícios que minimizam os efeitos da senescência. Pelo contrário, estimulo a vaidade como maneira de melhorar a auto-estima, mas entendo que a crítica e a razão devam ser os principais orientadores neste campo. Nada cujo benefício ainda não tenha sido comprovado e tudo que sabidamente aumenta o risco de acidentes ou malefícios deve ser evitado. Não há por que correr riscos desnecessários.
      
      A vida pode ser muito excitante fazendo coisas que todos podem e costumam fazer. Da. Neneca que o diga. Tem seu tempo distribuído entre as atividades familiares de esposa, mãe, avó e bisavó. Cuida da saúde e da alimentação. Participa de projetos sociais, lê e escreve muito, estuda música, vai a festas onde dança muito. Tem planos para o futuro. Melhor ainda, investe neles. A rigor, nada faz de excepcional, mas no conjunto da obra, é alguém que merece ser admirada.
      
       Neste sentido é que os veículos de comunicação podem prestar grande contribuição à sociedade, divulgando os impactos positivos daquilo que está ao alcance de todos. Insisto que a mídia deve estar a serviço do tema e não o contrário, que geralmente ocorre. Por este motivo é que as mensagens veiculadas nem sempre são tão impactantes quanto o desejado.
      
      Acredito que, ao apresentar alguém cuja trajetória foi pautada na simplicidade e cujos caminhos estão abertos para a maioria dos que pretende envelhecer com saúde, possa ter mostrado que este é um objetivo ao alcance de todos, desde que nos empenhemos a cada dia e em cada ação das nossas vidas.
      
      Fazer isso com prazer, é a arte que nos ensina a Da. Neneca. Por mais singela e natural que seja, esta capacidade tem que ser reconhecida, valorizada e imitada, para benefício atual e futuro de todos nós.
 
Clique aqui para Visualizar a versão em pdf.
Data da publicação: 15/09/2005
 
Conheça o autor deste texto:
Prof. Dr. Wilson Jacob Filho
Professor titular de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;
Diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da FMUSP;
Coordenador do Núcleo de Geriatria do Hospital Sírio-Libanês;
Coordenador do Serviço de Gerontologia do Hospital Sírio-Libanês.


Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7686073237631159


Médico formado pela FMUSP em 1976; Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas em 1977-78; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HC-FMUSP em 1979; Especialista em Geriatria pela AMB-SBGG em 1982; Doutorado em Medicina pela FMUSP em 1988; Professor Doutor do Departamento de Clínica Médica da FMUSP em 1989; Coordenador Geral do Núcleo de Atendimento Domiciliar do HC-FMUSP em 1996; Coordenador do Hospital Dia do ICHC-FMUSP em 1998; Diretor do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP em 1999; Professor Livre Docente da Disciplina de Geriatria da FMUSP em 2004; Especialista em Gerontologia pela SBGG em 2005; Professor Titular da Disciplina de Geriatria da FMUSP em 2006. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Geriatria, atuando principalmente nos seguintes temas: idoso, envelhecimento e atividade física.


Consultório
Clínica Pro Vitae - Divisão Pro-Senecta
R. Oscar Freire, 1946 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3064.6483
E-mail: jacob@saudetotal.com.br
 
 
 
 
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