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AZAR
 
      Meu amigo, tentando relatar um recente insucesso, disse ao telefone a conhecida frase: "pão de pobre cai sempre com a manteiga virada para baixo".
      
      Entendi a sua consternação e preferi apenas ouvir suas lamentações, por entender que isto seria o melhor a fazer por ele naquele instante. Oportunamente, porém, será interessante contestar sua passividade, a fim de que possa refletir sobre outra visão dos infortúnios.
      
       Qualquer pessoa que tenha consciência das suas limitações e queira realmente superá-las, não pode correr risco de perder suas escassas oportunidades. Em resumo, parafraseando o dito popular, "quem só tem um pão com manteiga, cuida bem para não deixá-lo cair".
 
      Se esta interpretação for entendida como verdadeira para inúmeras situações do cotidiano, deverá sê-lo ainda mais para as questões relacionadas à saúde.
      
      Sempre que possível, quando ouço alguém muito limitado pelas nefastas conseqüências das doenças que se acumularam no transcorrer da vida, reclamando do "azar" destas terem se somado "justamente nele", tenho tido o cuidado de explicar que as enfermidades crônicas ocorrem por múltiplos fatores associados e nunca por apenas um deles, isoladamente.
      
      Os filhos de diabéticos não o serão, obrigatoriamente, se tiverem bons hábitos alimentares e de atividade física. O mesmo raciocínio se aplica para a osteoporose, osteoartrose, hipertensão arterial, enfisema pulmonar e muitas das doenças que, frequentemente, são atribuídas à hereditariedade ou ao acaso.
      
      Até a tão temida Doença de Alzheimer, sabemos hoje, ocorre em menor freqüência nas pessoas que desenvolveram maior escolaridade e/ou desempenho intelectual durante toda a vida.
 
      Por outro lado, é mais freqüente dentre aqueles que apresentam doenças crônicas, como as acima enumeradas, em maior número ou com pior controle.
      
      Em síntese, existe uma relação de causa e efeito que se projeta no futuro, onde cada fator de risco ou de proteção terá conseqüências na saúde nas diferentes fases da vida, com efeito cumulativo nas idades mais avançadas.
      
      Quando sem doenças e sem limitações, a maioria acredita que "comigo isto não vai acontecer". Grave engano, pois a maior parte das enfermidades cursa sem sintomas evidentes por anos, até que se manifeste.
      
      A melhor forma de combatê-las é a detecção precoce, quando sequer conseguiram determinar qualquer prejuízo irreversível.
      
      Felizmente, cada vez mais pessoas estão se sensibilizando pelos argumentos cientificamente comprovados e mudando seus hábitos de vida em prol de fatores que favoreçam sua saúde atual e futura.
      
      Bons exemplos desta realidade são os aparentes paradoxos que revelam a íntima relação entre o temer e o fazer: após superar uma evidencia de doença grave, tendo a necessidade de submeter- se a exames complexos e/ou a períodos de internação hospitalar, cada vez mais pessoas estão se conscientizando da sua vulnerabilidade e assumindo maior responsabilidade sobre o futuro, dizendo "fiquei muito mais saudável depois que fiquei doente".
      
      Em breve, quem sabe, poderemos dispensar esta necessidade do "susto" como agente promotor da saúde.
 
Clique aqui para Visualizar a versão em pdf.
Data da publicação: 27/08/2009
 
Conheça o autor deste texto:
Prof. Dr. Wilson Jacob Filho
Professor titular de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;
Diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da FMUSP;
Coordenador do Núcleo de Geriatria do Hospital Sírio-Libanês;
Coordenador do Serviço de Gerontologia do Hospital Sírio-Libanês.


Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7686073237631159


Médico formado pela FMUSP em 1976; Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas em 1977-78; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HC-FMUSP em 1979; Especialista em Geriatria pela AMB-SBGG em 1982; Doutorado em Medicina pela FMUSP em 1988; Professor Doutor do Departamento de Clínica Médica da FMUSP em 1989; Coordenador Geral do Núcleo de Atendimento Domiciliar do HC-FMUSP em 1996; Coordenador do Hospital Dia do ICHC-FMUSP em 1998; Diretor do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP em 1999; Professor Livre Docente da Disciplina de Geriatria da FMUSP em 2004; Especialista em Gerontologia pela SBGG em 2005; Professor Titular da Disciplina de Geriatria da FMUSP em 2006. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Geriatria, atuando principalmente nos seguintes temas: idoso, envelhecimento e atividade física.


Consultório
Clínica Pro Vitae - Divisão Pro-Senecta
R. Oscar Freire, 1946 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3064.6483
E-mail: jacob@saudetotal.com.br
 
 
 
 
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